sábado, Novembro 19, 2005

BYE BYE


-”Que queres que faça com o resto das coisas?”
-”Ponho em caixas e arrumo na garagem, não te preocupes eu mesmo faço isso.”
-”Não é por isso,ninguem vai ocupar o teu quarto! Era só para que caso te lembrasses de algo , pudesses encontrar facilmente sem ter que andar vasculhando na arrecadação.”Finalmente olhamos um para o outro.Ela sorriu sem separar os labios e voltou a desviar o olhar para a minha mala ainda por fechar.
-”Tens mesmo que ir?” Essa era a pergunta que Eu repetia a mim mesmo incessantemente nos ultimos Meses.
-”Sim. Aqui vou acabar por me transformar em alguem infeliz e merecedor de pena e isso não é o que quero para mim nem para os que me rodeiam.”
Ela sabia que Eu tinha razão.Olhámos-nos e sorrimos, para disfarçar a tristeza que nos ia na alma. -”de qualquer modo sempre te posso levar o que me peças quando estiver de passagem por Barcelona”
Sempre a vi como alguem mais novo o que na realidade era verdade, mas havia esquecido que tambem eu havia crescido e a diferença de idades que temos a colocava no patamar de Adulta.Seria sempre a minha irmã pequena,para mais o seu ar jovem e de boneca ajudavam a que sempre se parecesse com uma miuda.
-”Vamos tomar um café? necessito algo para me estimular, tenho um montão de coisas que fazer hoje, no meu dia livre”-de volta ao seu mundo de organização.
-”Sim, tambem tenho imenso que arrumar e os meus niveis de cafeina estão a baixar radicalmente”, sorri, agora sim naturalmente.
Como sempre Leo estava ao telefone.Em sua vida havia sempre algo para dizer e na maior parte das vezes por telefone.Quem o conhecia sabia que sempre podia contar com ele para desabafar ou falar fosse do que fosse.
Sorriu-me, murmurou entre dentes um Oi, para que não escutassem do outro lado da linha.
-”ok então, quando possas me emprestas os teus apontamentos, ligas-me e tomamos algo, eu levo os meus e assim discutimos o projecto! Que tal assim?”. Franziu o sobrolho e torceu a boca para logo responder com um sorriso nos labios:”ok, ciao.”
guardou o telefone junto com o auscultador bluetooth.
-”este kromo é um empata fodas, e sempre tenho que lhe ligar para ver se avançou alguma coisa”pousou a mochila com a roupa do ginasio e olhou-me:
-” E tu krominho? Como estas?” sorriu e agora sim era ele. Um sorriso maravilhoso capaz de levantar a moral ao mais incredulo.
Leo sempre esteve comigo nos momentos mais dificeis de minha vida e de uma forma incondicional. Nunca julgou, sempre aconselhou e melhor de tudo sempre tinha algo para dizer de optimista.Sempre foi omeu melhor Prozac, porque ele proprio era o primeiro a acreditar em mim e agora iamo-nos separar, mais uma vez.
-”Está tudo bem. Já consegui fazer a mala e arrumar o resto das coisas na arrecadação”
-”ok, já sei o que me vais contar mas o que quero ouvir é como te sentes tu!”
-”hem! naõ estou por ai estusiamado, mas não estou melancolico como estaria ou apatico se soubesse que continuaria aqui”
-”Já contactaste alguem p’ra ‘ma rapidinha quando chegues? Conta conta”
-”Não Leo ainda não e ainda por cima sabes como são as coisas uma coisa é um caso de verão outra é a vida real, dos outros, no seu Habitat natural. As coisas mudam sempre quando estás em territorio alheio”
-” Bom, mas isso nunca foi problema para ti, tu adaptas-te bem em qualquer sitio, agora Eu é que não vou ter quem me conte mais historias.” Levantou-se e abraçou-me,forte, como sempre faz.Parece que quer devorar o mundo com um abraço.”Vais-me escrever todos os dias a contar as tuas aventuras, prometes?”
-”Sim krominho,prometo!” Ia sentir falta deste gajo. Ha aFamilia e depois ha o Leo.
Comemos um arroz de marisco para que ficasse a lembrança da boa gastronomia local e repassamos as nossas aventuras escandalosas em terras de Camões. Leo fica encantado com os detalhes escalbrosos das minhas aventuras,sempre que rsaber mais, é como um voyeur auditivo, ri-se pela forma como narro a minha atitude zombateira e superior para com os meus parceiros.Nas minha historias eu sou sempre o mau da fita e os outros os inocentes que cairam nas minhas garras.A realidade é diferente, mas é uma maneira de na minha mente eu ter o contole e de dar uma versão mais colorida aos factos.
-” Tenho que ir e claro sem ir ao Ginasio ou acabarei por vomitar tudo. Levo-te ao Aeroporto?”
-” Não é necessario a minha irmã vai comigo no Voo para Lisboa. asimm que...este é o adeus:”
-”Não digas parvoices , vamo-nos ver muito brevemente.Ou tu vens cá ou eu irei visitar-te”. Abraçou-me, apertou-me forte,beijou-me:” Adoro-te krominho!”.
E assim foi que em menos de uma semana tudo mudou: Decidi ir viver para Barcelona, despedi-me da Familia e dos Amigos,escolhi o que levar na bagagem e empacotei o resto da minha vida na esperança de que nunca tenha de voltar atrás.

quinta-feira, Novembro 17, 2005

DECISÕES

Meses depois do Verão terminar, começava a desesperar por algo que me fizesse sentir vivo. a vida monotona que levava e a falta de interesse enraizavam em mim uma apatia para com tudo e todos que me rodeavam.Tinha que sair daquela Vila para não rebentar de ansiedade ou deixar-me morrer lentamente. Todos os locais de ferias me fazem sentir que se ainda ali estás, estás perdendo o que os outros fazem quando não estão ali.
”Que faço eu ,ainda aqui?”.
Depois das ferias a Vila parece uma cidade fantasma.Todos os festivais festas feiras e outros eventos acabam, só virão no ano que vem e entretanto tu esperas.trabalhas em algo para te sustentar as aparencias e ao final do dia passeias pela avenida e cumprimentas a todos mesmo que sejam apenas rostos conhecidos.Os habitantes são poucos e todos se conhecem.pode ser algo confortante, mas que passa se o espirito aberto e os sorrisos são só para inglês ver? É que todos já estão minados.Sabem o que se passa lá fora e o que vem de fora aterroriza-os ou entre portas fechadas e á boca pequena, sabe Deus como realmente são.Há a Peixeira que coxixa com a vizinha sobre o caso que a filha da sua parenta que mora na rua acima, mantem com aquele rapaz que tinha ido para o estrangeiro estudar e agora voltou, - “O marafado até tem bom ar, mas sabe-se lá como consegue pagar aquele carro e todos dias come fora em restaurantes dos bons.Meu Tiago tem um bom carro mas foi um primo que lhe vendeu, trouxe-o d’Alemanha.. agora aquele... bem ...melhor nem tentar saber”- Assim que já estão todos “Possuidos”.Não que eu como pessoa não seja capaz de tais coisas, mas como não suporto a monotonia, tive que sair.

A seguir ao ano novo decidi que me mudaria para Barcelona.
Havia vivido já em outras metropoles: Londres, Milão, Paris até Lisboa.
Ho lisboa! Cidade encantadora, Mas tudo me pareceu Demasiado Romantico e uns “passitos atrás”.